Nova técnica reduz em 40% emissão de CO2 na produção de cimento

  • 21/04/2013

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) criou uma nova técnica de produção de cimento Portland, que emite 40% menos dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. O trabalho, que foi desenvolvido durante 12 anos por mais de 20 pesquisadores, é coordenado por Vanderley M. John e Rafael G. Pileggi, professores do Departamento de Engenharia de Construção Civil da instituição.

A tecnologia consiste basicamente na mudança da composição do material. Na pesquisa da Poli, aumenta-se a proporção de filler calcário cru na fórmula do cimento, adicionando dispersantes orgânicos. O filler é uma matéria-prima que não precisa de tratamento térmico (calcinação) – processo que na fabricação do cimento é responsável por mais de 80% do consumo energético e 90% das emissões de CO2. “Nós conseguimos chegar a teores de 70% de filler. Com isso, será possível dobrar a produção mundial de cimento sem construir mais fornos e, portanto, sem aumentar a emissão de CO2”, explica John.

O cimento Portland é composto basicamente por argila e calcário, elementos que, quando fundidos no forno em alta temperatura, se transformam em clínquer. Para cada tonelada produzida de clínquer são emitidos entre 800 e 1.000 kg de CO2. “Tomando como base apenas o cimento brasileiro, a tecnologia da Poli poderia fazer cair o fator de emissão para cerca de 360 kg CO2/ton cimento, ou seja, 40% a menos”, acredita o engenheiro.

Nos testes na universidade, os pesquisadores perceberam também que essa nova fórmula permite a redução da quantidade de cimento sem perda da qualidade do concreto. “Para um concreto de alta resistência, por exemplo, conseguimos utilizar apenas 120 kg de cimento – bem abaixo dos 500 kg que o mercado emprega”, afirma Bruno Daminelli, doutorando no projeto que recentemente venceu um prêmio internacional sobre concretos de baixo consumo.

Os trabalhos agora estão concentrados no desenvolvimento de tecnologias que permitam realizar a moagem e a seleção de partículas em larga escala de forma estável e competitiva, para um volume estimado em quase 3,6 bilhões de toneladas/ano.

A Poli-USP também já está negociando parcerias com a indústria para aperfeiçoar e transferir esse conhecimento.

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